Revolução Francesa: o que aconteceu e por que ainda importa hoje

Entenda de forma direta o que foi a Revolução Francesa, por que o povo se revoltou, quem perdeu a cabeça e como esse evento ainda influencia a nossa ideia de direitos e cidadania.

ESTUDAR HISTÓRIA

Charles Moisés Müller

Introdução

Quando alguém fala em Revolução Francesa, normalmente vem à cabeça três coisas: coroa caindo, gente gritando “liberdade, igualdade, fraternidade” e uma guilhotina trabalhando em horário estendido.

Mas, por trás dos memes e das cenas de filme, a Revolução Francesa foi um daqueles eventos que viram a chave da História. Entender minimamente o que aconteceu ali ajuda a entender o jeito como a gente fala de direitos, cidadania, Estado e democracia até hoje.

Vamos por partes (sem trocadilho com a guilhotina).

Como era a França antes da Revolução?

Antes de 1789, a França vivia sob a chamada monarquia absolutista.

A sociedade era dividida em três “estamentos”:

  • Primeiro Estado: o clero (a Igreja);

  • Segundo Estado: a nobreza;

  • Terceiro Estado: todo o resto – burguesia, trabalhadores urbanos, camponeses.

Quem tinha privilégios, isenções de impostos e poder político?
Clero e nobreza.

Quem pagava a conta?
O Terceiro Estado.

Some a isso:

  • crises de fome;

  • impostos pesados;

  • influência das ideias iluministas, que questionavam os privilégios;

  • uma França endividada (inclusive por ajudar os EUA na independência).

Receita pronta para a confusão.

O estopim: 1789 e a Bastilha

Com a crise apertando, o rei Luís XVI convoca os Estados Gerais, uma assembleia com representantes dos três estados. O problema: o sistema de votação favorecia clero e nobreza.

O Terceiro Estado não aceita essa brincadeira, se declara Assembleia Nacional e assume pra si o papel de representar a nação. É o começo da ruptura.

Em 14 de julho de 1789, a população de Paris toma a Bastilha, uma fortaleza que simbolizava o poder real. A queda da Bastilha vira o grande símbolo do início da Revolução.

Pensa assim:

Bastilha = “vamos derrubar esse sistema inteiro”.

Linha do tempo da Revolução (versão resumida)

1789–1791 – Fase liberal (Assembleia Nacional Constituinte)

  • Queda da Bastilha;

  • fim dos privilégios feudais;

  • Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão;

  • tentativa de criar uma monarquia constitucional.

1792–1794 – Fase radical (Convenção Nacional)

  • França se torna república;

  • rei é julgado e executado;

  • período do Terror, sob influência dos jacobinos (Robespierre);

  • perseguições políticas e uso intenso da guilhotina.

1795–1799 – Diretório

  • tentativa de estabilizar o país, com muita crise e conflitos;

  • quem ganha força é o general Napoleão Bonaparte.

1799 – Golpe de 18 de Brumário

  • Napoleão assume o poder, encerrando o ciclo da Revolução e iniciando uma nova fase na França.

O que a Revolução Francesa tem a ver com a nossa vida?

Mesmo que você nunca tenha pisado na França, a Revolução Francesa mexe com a sua vida quando falamos de:

  • Direitos individuais
    A ideia de que toda pessoa tem direitos básicos que o Estado deve respeitar.

  • Cidadania
    O cidadão como alguém que participa, vota, questiona, opina – e não apenas obedece.

  • Igualdade perante a lei
    Em teoria, ninguém deveria ser tratado de forma diferente só por causa da origem social.

  • Fim de privilégios de nascimento
    O poder deixa de ser “herdado” apenas por título ou sangue.

Discussões sobre eleições, protestos, direitos humanos, Estado laico, liberdade de expressão… têm raízes ou conexões com essa virada do final do século XVIII.

As contradições da Revolução

Nem tudo foi lindo, justo e perfeito. Alguns pontos para olhar com senso crítico:

  • A tal “igualdade” não incluía todo mundo: mulheres, escravizados e boa parte da população pobre ficaram fora dos espaços de poder.

  • A França manteve por muito tempo a escravidão em suas colônias, mesmo após falar em direitos universais.

  • Em nome da liberdade e da república, muita gente foi executada em processos políticos bem discutíveis.

Ou seja: foi um passo histórico importantíssimo, mas não resolveu todas as injustiças – e é por isso que esses temas seguem em debate.

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